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domingo, 18 de março de 2012

.Alguém me dá um tiro, por favor.

Hoje pela manhã, ao longe, um vizinho ouvia forró de plástico. Não, não voltei a morar em João Pessoa, graças a Deus.

Peguei aqui qualquer vídeo do Iúltchube pra mostrar pra quem (abençoado por Djizãs) não conhece essa lindeza de forró que é também um primor de variedade . Não chore de emoção com a delicadeza da letra, por favor.



Bem, o vizinho ouvia algo similar a isso aí.
E eu?

No Piauiês, eu só ouvia "isso bem daqui", ó:

O doce soar da caixa da bateria que, num alucinante e hipnótico ostinato, faz multidões se requebrarem nas calouradas por aí.

Pros dois leitores do Desce que não são músicos, isso ali soa...

[não sei incorporar áudio em posts. Pode me chicotear. 
Clica aqui, vai abrir a janelinha e depois clica no "plêi"]

Quem já leu um pouco sobre técnicas de tortura sabe que padrões repetitivos são altamente eficazes, basta lembrar da história do cara que era vendado e tinha que ficar ouvindo o seu sangue pingar lentamente num balde ao seu lado. O que pingava era, na verdade, água, mas o cara morria porque acreditava.

Esse lance todo me passou pela cabeça hoje de manhã desde o momento em que fui acordada por isso até agora pouco, quando o vizinho desligou lá. Na distância que tô dele, a voz do cantor some, o baixo, a guitarra, a sanfona, mas o padrão agudo e de potente alcance sonoro da caixa-clara se faz ouvir ao longe. Mesmo com televisão ligada, com os carros que passam aqui a toda hora, com todos os sons à minha volta, minha audição ouvia sempre em primeiro plano esse fragmento rítmico (repetido 500 milhões de vezes porque ele é IGUAL em todos os forrós de plástico). O cara deve ter ouvido uns dois DVDs de forró, mas daqui me pareceu sempre a mesma música.

Como explicar para as pessoas que isso, pra mim, é uma tortura, se até meus amigos mais coerentes me olham como se eu fosse louca?


Me ajuda, Brasil.


quinta-feira, 1 de março de 2012

Florinda


Desdobrando-me - em e - de várias eus, consigo ver com mais clareza o caminho da felicidade.

 .Não esse, Biau.


Um caminho que não apareceu por mágica, mas que foi muito bem pensado.
Numa certa festinha de aniversário, me senti bem como a muito tempo não sentia. Podem pegar os clichês e as pedras que lá vou eu: me senti bem-vinda, aceita (por não ser julgada), tranquila. Conversas de qualidade e de verdade. Pessoas olhando pra mim e não pra minha roupa. Palavras trocadas com um certo ar de cumplicidade, por quem entende o que eu digo. Não tirei as antenas de ET, porque tava todo mundo lá usando!

Empanturrada de tanto rir e comer docinhos, vi uma Juliana trancada num cômodo escuro onde tudo era saudade abrir lentamente a porta e querer tomar um banho de chuva.


.Se quiser, seja bem-vindo a você mesmo.


Dos últimos aprendizados e acontecimentos, gostaria de compartilhar algumas coisas que andam povoando minha cabeçona e roubando momentos preciosos de sono durante a noite (continuo pensando demais):

1º Somos quem queremos ser.
Porque, afinal de contas, ninguém é tão importante para que o mundo todo pare e contemple aquela pessoa. Não há tempo disponível nem vontade mental de outrem para que fiquem olhando pra sua cara e se importando com a sua vida (obviamente, um fofoqueiro ou outro, mas aí é problema do fofoqueiro). Ao parar de se colocar sempre como centro da parada, um peso grande sai dos ombros na mesma hora em que se percebe que é necessário viver sua vida e fazer as coisas que te fazem feliz, mesmo que não sejam o que faria feliz às pessoas (as legais e as filhas-da-puta) do seu círculo de amigos, de colegas de trabalho ou da família.

2º Denunciar é a solução?
Essa semana, ouvi do meu médico que “na clínica dele, amigo, parente e conhecido passam na frente de quem quer que seja e não pagam consulta”. Ouvi isso com uma fichinha na mão onde estava escrito “4”, quando, na verdade, fui a 10ª pessoa a entrar no consultório. E ele ainda completou: “Eu sei que no sul as coisas são diferentes, mas aqui no Piauí é assim”. Injusto? Eu perguntei. Ele deu de ombros. Uma situação que, pra mim, diz respeito a várias coisas:
- Respeito mesmo. O cara é bem corajoso e folgado. E achei bem triste o fato de ele ser um piauiense que chama seus conterrâneos de idiotas.
- Espiritualidade. O cara tem vários livros da Zíbia Gaspareto (escritora espírita bem famosa) em cima da mesa. Para quê?
-Ignorância (do fato de saber, mas fingir que não sabe). Ao final da consulta, ele falou: “Eu posso estar errado pensando assim, mas hoje, eu penso”.  E ele está certo, não? Precisa ver como o consultório é sempre cheio. Mesmo que você pague R$ 200 pela consulta, vai esperar, no mínimo, 2 horas pra ser atendido. E as pessoas continuam indo. Ignorando o que ele faz. Seria o correto eu, sozinha, dar a cara a tapa, quando as mesmas mulheres que estavam ao meu lado reclamando dessa furação de fila se calaram quando saí do consultório chamando ele de palhaço e contando pra elas o que ele me disse?
-Coronelismo. Existe por todo o canto, sabemos. Pra falar do Piauí, aqui ele samba na cara da sociedade. Provavelmente esse médico conheça alguém que conhece alguém que conhece alguém. Tem razão, doutor. No sul, as coisas funcionam. Não perfeitamente, mas sei que a galera costuma reclamar. Aqui, não sei em que terreno estou pisando. Aqui, tenho um contrato temporário de trabalho. Aqui, já ouvi histórias cabeludas e absurdas que me remetem a tramas globais do rei do gado. Denunciar esse cara poderia realmente me ajudar ou só me colocaria em evidência negativa? Não denunciar esse cara significa que estou ficando ignorante também?

3º Primeiro, compreender, depois, valorizar o lugar que me acolhe.
Tem muito a ver com tudo o que foi dito até então. Atenção para não ser digerido pelo sistema. Ao mesmo tempo, é necessário saber também de onde você veio. É bom, pra não esquecer do fio da meada, pra não se tornar farinha do mesmo saco (nos sentidos bom e ruim).

4º Agir sempre com calma.
Demanda muito mais treino do que você está tentando mensurar agora, te dá segurança e te deixa sempre com a consciência tranqüila.

5º Por conseguinte, não ser imediatista.
O leite cai da sua mão, o copo quebra, você bate o dedinho na ponta da mesa. Cuidado.

6º Faça bem-feito.
Poupa tempo, enche de orgulho, refina sua imagem para si mesmo.



domingo, 19 de fevereiro de 2012

Uau.

Adoro a calmaria das manhãs de carnaval.


As noites poderiam ser assim também.