Hoje pela manhã, ao longe, um vizinho ouvia forró de plástico. Não, não voltei a morar em João Pessoa, graças a Deus.
Peguei aqui qualquer vídeo do Iúltchube pra mostrar pra quem (abençoado por Djizãs) não conhece essa lindeza de forró que é também um primor de variedade . Não chore de emoção com a delicadeza da letra, por favor.
Bem, o vizinho ouvia algo similar a isso aí.
E eu?
No Piauiês, eu só ouvia "isso bem daqui", ó:
O doce soar da caixa da bateria que, num alucinante e hipnótico ostinato, faz multidões se requebrarem nas calouradas por aí.
Pros dois leitores do Desce que não são músicos, isso ali soa...
[não sei incorporar áudio em posts. Pode me chicotear.
Clica aqui, vai abrir a janelinha e depois clica no "plêi"]
Quem já leu um pouco sobre técnicas de tortura sabe que padrões repetitivos são altamente eficazes, basta lembrar da história do cara que era vendado e tinha que ficar ouvindo o seu sangue pingar lentamente num balde ao seu lado. O que pingava era, na verdade, água, mas o cara morria porque acreditava.
Esse lance todo me passou pela cabeça hoje de manhã desde o momento em que fui acordada por isso até agora pouco, quando o vizinho desligou lá. Na distância que tô dele, a voz do cantor some, o baixo, a guitarra, a sanfona, mas o padrão agudo e de potente alcance sonoro da caixa-clara se faz ouvir ao longe. Mesmo com televisão ligada, com os carros que passam aqui a toda hora, com todos os sons à minha volta, minha audição ouvia sempre em primeiro plano esse fragmento rítmico (repetido 500 milhões de vezes porque ele é IGUAL em todos os forrós de plástico). O cara deve ter ouvido uns dois DVDs de forró, mas daqui me pareceu sempre a mesma música.
Como explicar para as pessoas que isso, pra mim, é uma tortura, se até meus amigos mais coerentes me olham como se eu fosse louca?
Me ajuda, Brasil.
