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sábado, 1 de outubro de 2011

[Mel]dels


Acho que eu tenho pena do meu vizinho.

Ele é tão sozinho e não sabe viver sozinho. Percebo que é sempre assim: o cara acorda super cedo no sábado e vai limpar o apê. Começa com uma musiquinha baixa rolando no PC e vai dando uns gemidinhos de qualquer coisa, porque não sabe / não consegue / não quer cantar em inglês. Aí ele vai se empolgando. Lá pelas 7h50, a intensidade emitida pelas pregas anais vocais do aspirante a barítono já beiram o limiar do “não deixe a Juliana trabalhar!”. De repente, ele começa a xingar. Sempre tem um "...essas minina são tudo umas rapariga, fábrica de fazê mininu. Tudo vagabunda." ou "Ela vai vê só. Ela quer me processar, mas eu vou ferrar com ela. Essa vagabunda." Quando ele se acalma [lá se vão mais alguns muitos minutos], mais ou menos nesse instante, ele chama pela Mel. 

[pausa dramática para explicação]
Atende pela graça de Mel uma púdôu soprano do caralho que quase se caga de latir quando a gente passa pela porta do apê dela. Quem vê pensa que eu passo por ali ameaçando ela de morte ou copiando um dos penteados welves que a dona faz nos cabelitcho dela.
[retomando a programação normal]

Importante mencionar que Mel e vizinho não moram no mesmo apartamento. Ele se debruça na janela [localizada acima do meu escritório, olha que gotôso] e fica ali conversando gritando com ela. A seguir, as frases do galã do calção amarelo e as possíveis respostas da porre da Mel:

 “Ô, MEL, POR QUE QUE TU TÁ TÃO FALANTE HOJE, MEL?”

[Pra ver quantos véios sem noção vêm na janela falar comigo”.]

“Ô, MEL, MAS TÁ TÃO NERVOSA HOJE, MEL. POR QUE TANTO NERVOSISMO, MEL?”

[Porque sinto que aquela grandona que passa por aqui vai entrar na minha casa, me afogar no vaso e levar todas as minhas fitinhas de cabelo”.]

Ah, dependendo do meu humor, eu faria mesmo, Meeehhheell... ¬¬

“MEEEEEEEEL, MAS TÁ TODA SIMPÁTICA HOJE, MEL. VAMO CANTÁ, MEL?”

Aí ele coloca a música mais alta e fica chamando a cachorra pra cantar com ele. Oi?
Num dado momento, creio que a Mel se enche do cara e para de latir. Se isso resolvesse pra ele, eu nem ligaria tanto. O cara fala com cães, acho digno, MAS...

...ele ainda fica falando com ela por uns 15 minutos. Sozinho. Sem a Mel. Quinze minutos. Sozinho. Na minha janela. Cadê a Mel? Sozinho. Aposto qualquer orifício meu de que a Mel já tá lá do outro lado do apartamento, os ôvo arrastando no chão, de saco cheio, com as patinhas tapando os ouvidos, quase ligando pra fiscalização da perturbação de ordem.

Pô, às vezes eu quase tenho vontade de fazer um bolo e levar lá pra ele, pra gente prosear. Não vejo problema da pessoa querer ser sozinha, mas esse cara, eu sei que não quer. Ele sente muita falta de algo, e a Mel [agora, parafraseando alguns indivíduos da Raí sossáiêtchi teresinense] só vem a somar nesse quadro e agregar valor a essa manifestação tão linda e tão importante pro Estado do Piauí coitado do meu vizinho.

4 pombas:

Tullip disse...

A melhor foi quando ele disse: Wo Mel, porque tão histérica, Mel? Durmiu mal, foi?

Num guento.

Maria Clara disse...

hahahaha
Tadinha da Mel...




Os caracteres exibidos pr'eu confirmar meu comentário são o faltam pro teu vizinho:
CLACE.

Maria Clara disse...

O que faltA.
Releva aí...

oseguinte disse...

ME-DO. o0