A cena mental da manhã foi a seguinte:
Minha mente (a qual vamos chamar de Mente da Silva),
travestida de noivo, estava ansiosa para seu casamento.Terninho alinhado,
flores pelo corredor que traria, em alguns instantes, a noiva tão linda e tão
desejada por tantas mentes por aí: a senhorita Concentração Raquellyne de
Moraes.
Todas as madrinhas com seus vestidos fofos e coloridos
aguardavam com amor e ternura o início da cerimônia, devidamente amparadas por
seus pares, todos de fraque com lapela cor de chumbo, última temdensia lá na
vila que eu moro.
Mente da Silva mostrava inquietação, mas ninguém acudiu. Era
sempre assim.
Raquellyne até que nem atrasou tanto. Concentrada que é,
acha o cúmulo da breguice esse negócio sexta-feira de noiva atrasar e fazer os
convidados ficarem suando a bunda no banco da igreja. Quando ela adentrou o
recinto, todos imediatamente se emocionaram. Mente da Silva então, quase que se
mija.
Lá vinha ela, tão perfumosa, chegando perto. O casamento
iria acontecer! Ai!! Que emoção!
Mente ficou, nesse momento, rememorando o quanto quis esse
casamento. Durante o mestrado, ahh.. como fez falta... Até mesmo nas tarefas
simples do cotidiano, putz, como seria bom ter a Concentração por perto. Ali,
ao lado, colaborando, as coisas acontecendo. Mas agora, o sonho estava prestes
a se tornar realidade. Sei bem que os dois já deram uns amassos por aí, nessa
longa estrada da vida. Se abraçaram bastante até, transaram loucamente algumas
vezes. As ficadas são incontáveis entre o casal, de tantas que foram, mas, para
Mente da Silva, casar significa selar um compromisso: A Concentração estará,
sempre que possível, ao seu lado, na alegria e na tristeza, na saúde e na
doença, na riqueza e na pobreza. Meldels, é muita emoção! Zentchi, alguém me dá
um lencinho aqui, por favor.
Contratei alguns músicos para que pudessem colaborar na
paisagem sonora do momento, já que tirei folga do trabalho nesse dia. Não poderia
tocar no casamento da minha Mente porque meu lugar no altar, conscientemente ao
lado dela, era de fundamental importância e estava lindamente assegurado. Quase
que me mijo nessa hora também.
Ai, lá vem Raquellyne. Toca aí, cambada, que é pra ela
chegar chegando.
[músicos: Frwweinnn, Tum, tx, Tum, Tum...]
Mente da Silva estava em êxtase com a beleza da noiva que se
aproximava. Concentração Raquellyne estava mais contida. É muito calma e, eita
trocadalho, concentrada.
Qual não foi a nossa surpresa quando, num ímpeto de novela
das oito, ouve-se uma moto com cadron parando na porta da igreja?!?!?!?!...
Era ele!!!! João do Foco Albuquerque! OUMAIGOD!
Mais rápido que olho de vizinha fuxiqueira, mais astuto que
piriguete executando um rebolado até o chão, mais sério que porco mijando, ele
adentra a igreja e rapta a noiva!!!! A vaca nem fez sinal de que tava
contrariada. Montou na moto e foi embora com ele. Vagabunda.
Mente da Silva, você tá bem? Gentem, ele tá estático. Ajuda
aqui!
Nessa hora, os porra dos músicos que EEEEU contratei, tudo
amigo meu (bom, achei que fossem, né?), começaram suavemente uma progressão
harmônica em si menor, mi menor, lá e ré. Depois de oito compassos de
introdução instrumental, a igreja, em cânone, cantou: Foge, foge, Concentração
Raquellyne, foge, foge com Joãozão do Foco.
1 pombas:
hahahahahahahahahahahahahahahahahaha... Que foda.
Seria um lindo casamento. :P
Amo
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