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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

.Corpo na estrada. Cabeça doente.


Alguns colocam a mochila nas costas, dão um beijo na mãe e pedem a ‘bença’ pra cair feliz no mundo. Comigo não foi bem assim.

Prestes a completar quatro anos, minha despedida de “casa” ainda está sendo resolvida. Queria conhecer o Nordeste? Queria. Queria conhecer concepções diferentes? Queria. Queria se livrar das amarras de mil casacos que não deixavam nem levantar o braço direito? Queria sim. Então, aonde está o equívoco de toda essa melancolia que veio na bagagem?

De repente, as respostas começam a emergir e tudo está mais claro agora: eu programei minha mente para isso. Talvez pela saudade plena que sinto dos meus irmãos. Talvez pelo fato de ter passado muito tempo sozinha em João Pessoa, um pouco porque quis, um pouco porque as pessoas simplesmente não se aproximavam. Por ter deixado meu trio de samba justamente num momento em que nos entendíamos muito bem. A saudade da cidade antiga e a aversão às atuais se juntaram numa mistura explosiva que, quando consumida, me deram (ainda dão um pouco) a exata sensação de eterno peixe fora d’água. Imagino quantos amigos em potencial eu deixei passar nesse processo. Quanta coisa legal eu simplesmente perdi por preferir olhar fotos e ouvir músicas de outros tempos. Que caralho de nível de superioridade essas coisas deveriam ter sobre o meu presente? Por que atuaram de maneira tão violenta e me tornaram essa pessoa tão mais calada, que nem fala mais tanto palavrão e nunca mais desenhou? E, por mais que eu queira compartilhar, são poucas as pessoas para tal. Só quem se afastou do confortável e sente esse tipo de saudade doer no peito, que vê tudo diferente à sua volta, pode quantificar o que é deitar pra dormir sozinho, sem ter as crianças fazendo bagunça na sala não te deixando dormir. Ou pode analisar a estúpida atitude de ficar bravo porque não encontra um determinado serviço ou um grupo específico de pessoas que têm tudo pra virar seus béstifrêndsforévâ.

Me disseram mesmo que o processo de descoberta da minha mente iria ser doloroso. Mas é uma dor consciente, infinitamente melhor do que a que me acompanhou durante esses quatro anos, essa sim fria, cega, romântica, implacável, um porre.

Gostaria de poder pedir desculpas a todas as pessoas que tentaram se aproximar de mim e eu não deixei. Gostaria de ter conhecido muito mais coisa na Paraíba do que, basicamente, ter constatado minha aversão à poluição sonora – uma descoberta louvável no campo pessoal e profissional, mas que tomou meu tempo e meu pensamento de uma maneira surreal.  Gostaria de dizer aos amigos atuais que esse texto me expõe muito, e que não me envergonho disso. Estou num momento maravilhoso de descoberta, que alia a dor ao esclarecimento, e que é muito difícil, mas não estou me julgando. Serena observadora, deixei minha mente me mostrar que estava no automático. Qualquer cena que me vinha na cabeça evoluía sempre pra uma briga, um atropelamento ou uma grande decepção. Eu programei ainda antes de sair de Curitiba. “Estou indo, mas vou sofrer bastante de saudade daqui.”

Assim não teria mesmo como ser feliz, Juliana.


1 pombas:

G Garibaldi disse...

Nossa, preciso tanto falar contigo.
Beijos...